1.8.07

Que um dia a história ---




Cansado dos sorrisos ensaiados e do artifício pensado das gentes que, ali, passeavam a roupa de ocasião empunhando os seus copos de espumante colorido com essas bagas silvestres congeladas que já poveiam os supermercados, reagrupou toscamente os pedaços de janela sobre as incisões da pedra.
Os olhos de porcelana a se despedir do ontem, como decidira, e os indícios do consumo, aqui e ali. O contador, nos grãos das vagens – ou era ao contrário? Os novelos cercariam-nas, entretanto, a jeito de forte medieval improvisado, quais leucócitos – assim ficamos imunes, certo?

A resposta contida

- Oh… está tão bonito, hoje...
- Isso é porque não me vê nos outros dias! ;)

2.7.07

Até já

And if you feel a little left behind
I will see you on the other side
(Okereke, Kele. Banquet. Silent Alarm)

Somewhere else




Colhidos os silêncios, partiu em busca das horas ruidosas da pequena grande cidade.

29.6.07

Para ilustrar o quê?


Não. Esta não é umas dessas flores de papel. Nem mesmo das que povoam geometrias decalcadas.
É uma das outras.(nunca são as preferidas de ninguém por isso resolvi fazê-las as minhas. Sim, essas... les autres.)

Daquelas… amputadas de suas raízes e postas ao ver.
Já não acordo cedo para encontrar por acaso – novas horas mortas e o sono que já não se tem. (é a isto que chamam o cansaço? Ou será que está tudo ao contrário, como naquela canção?)
O chocolate provado mas deixado por acabar de comer. Os chocolates comem-se?
Uma imagem desfragmentada da tabacaria de um outro Pessoa.
Foi para um trabalho… sim! Agora lembro-me, de entre as caixas de lãs encontrei-o.
A crueza das outras imagens encadeadas. A expectância. Não gostei!
Talvez pela fronteira a giz vermelho que desenhei e que a chuva tende a lavar. Não gostas de chuva? I do… Temos pena. Ainda assim trai-nos sempre, não é?
A festa de gentes desconhecidas e emprestadas por outrem.
A música, ao fundo, repetitiva e o silêncio - sim!
O silêncio ensurdecedor das ilhas.


Novelo Branco à sombra. Pele molhada no calhau.

With us? It's never off the table...

20.6.07

18

Após um ano de (muito) trabalho. Sequinho e sem direito a casa decimal.

4.6.07

Edit me



No silêncio das ilhas, descolorei toda a pele a fim de a oferecer a jeito de mensagem subliminar no formato de livro de colorir. Quanto ao umbigo… tenho de pensar no caso!
A expectância dos cheiros que desaparecem é ensurdecedora e desconcentra-me o trabalho.

3.6.07

Tangerine

Still got your taste in my mouth.

29.5.07

Pete's Anatomy

“Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer (…)”
(Caetano Veloso)

Um estágio diferente da série televisiva que lhe dá nome. Semana das Expressões. Caniço. Esboço. Pintura. Segredo. Caixa. Pincel. Plástico aderente. Mimos ou brincos de princesa. Tinta. Rosa Carne. Pedaços de ti. Anatomia de um coração emprestado. Ilustração Científica. Missanga. Transparente. O que está, mas não se vê. Caixa. Riscas. A ganga que já era pintada, antes da pintura. I am not an acrobat, I cannot perform these tricks for you, no iPod. As conversas que finjo não pescar e a minha resposta torta. Fim de mais um dia de trabalho.

25.5.07

Surprise Goodbye Party



10 Horas. Toque da campainha. Chave que “não precisa” aparecer. Porta da sala aparentemente fechada. A turma toda sentada. Salva de palmas. Professores “ditos estagiários” surpreendidos. Surpresa continua. Sorrisos q.b. Assobios. Palmas continuam. Mensagens no quadro. Lanche nas nossas mesas. Fotografias. Obrigado e um até já.

23.5.07

Habitar


No apartamento emprestado, vazio de outras gentes, um abraço provocado pela vontade de tocar ou pela sofreguidão da carne que se quis (in?)oportuna, encheu esse teu dito espaço protegido com paredes caiadas a vermelho de casas antigas. É a pele das casas que se quiseram em extinção e os bebés que se queriam até acidentais.

Habitar, a jeito do negro corvo que colecta brilhos no ninho.


De dia, actualizaria esses jornais públicos semeados de nossas mensagens subliminares e à noite comeria tangerina, sofregamente, e com a ajuda das mãos.

Deixaria a promessa de acordar mais cedo para te encontrar, por acaso, oh concha. Começaria a ensaiar o mais fake-surpreso sorriso de sempre.

22.5.07

Café




Sábado. Café. Riso atrapalhado. Toque nas pernas. Colegas esquecidas. O barulho do mar. O carro trancado. Mais risos, agora menos atrapalhados. Parte de alguma coisa, numa cor qualquer. A tensão. Mais toque. A viagem. Um túnel. Outro túnel… seria outro? Perco-me. Encontro-me(-te?) na casa. Sofá. Roupa. A televisão que ilumina, mas não se vê. Mais tensão. Lábios. O jogo do "não fui eu, foste tu". Mais roupa, menos roupa (sem roupa?). Os beijos que se evitam e os que não. O relógio (faz-se tarde!). A chegada de familiares. Um até já – para mais uma ida “ao café”?

Note to Self

Nunca diga dessa tangerina não comerei!
(yet again)

8.4.07

A Espera

Ao se desenhar mais uma fronteira, com a manhã fria e incandescente como o sol a bater na neve, fechavam-se olhos e adormeciam-se mãos.

A tarde, lenta e morna, com o seu vagaroso compasso de horas e minutos, cheia de nadas, estender-se-ia até ao toque do telemóvel.

6.4.07

Desejo II



Esta noite, os sonhos tidos foram a dormir, descontrolados e sem rédeas – não entravas em nenhum deles. Esta noite não houve tempo para mantas ou pernas febris – ficaram presos ao ontem. Esta noite, sem cerveja, vinho ou cafés, não houve tempo para dedos entrelaçados ou espasmos corporais – os ais são só meus?

Noite houve, atrás de uma janela por onde se olha para dentro e nunca para fora, em que carne nunca pareceu, tanto, carne - sem, no entanto, ser, sequer, consumida com sofreguidão.
Fronteiras de carne e músculo, aprisionam uma força bruta de ser, querer e vencer.

E hoje? Hoje, chove-lhe no tecto da boca, das nuvens que alberga na língua – do que não deu. Hoje, espera carta enviada mesmo que tardiamente – o selo é excusado. Hoje, espera-te no sítio do costume – ou, mesmo, noutro qualquer – para que com um sorriso, um outro arrebatas.

“Podias ser a última boneca russa… e eu deixava-te usar a coroa”, pensa alto essa estrela moribunda.


Hoje, borda um coração cor de sangue numa tela branca – armadura para coração ou coração elevado a jóia?

Desejo


"Laura observa. A casa de jantar parece-lhe, neste momento, a mais perfeita sala de jantar que se possa imaginar, com as suas paredes de cor verde-amarelada e a arca de bordo escura que guarda um tesouro de objectos de prata, presentes de casamento. A sala parece-lhe quase impossivelmente cheia: cheia com as vidas do seu marido e do seu filho, cheia com o futuro. Tem importância. Brilha. Grande parte do mundo, países inteiros, foram dizimados, mas uma força que dá inequivocamente uma sensação de bondade prevaleceu; parece-lhe que até Kitty será curada pela ciência médica. Ela curar-se-á. E, se não se curar, se já não for possível ajudá-la, Dan, Laura e o filho de ambos, e a promessa do segundo filho, continuarão aqui, nesta sala, onde um rapazinho franze a testa, concentrado na tarefa de tirar as velas do bolo, e onde o seu pai aproxima uma delas da sua boca e o convida a lamber a cobertura do doce.

Laura lê o momento enquanto ele passa. Aqui está, pensa; já lá vai. A página está prestes a ser virada.

Sorri ao filho, serenamente, de longe. Ele retribui-lhe o sorriso. Depois lambe a ponta de uma vela apagada e pensa noutro desejo, que pede seja satisfeito."
Cunningham, Michael.(2003) As Horas. Lisboa: Gradiva Editora. P.203

5.4.07

Rosa-Carne


Na véspera de sexta-feira santa, tricotava-te esse coração de pedras e contas vermelhas em linho branco, na ressaca do vinho que bebemos. O quadro sob a tela sentia o esticar da pele, de cada vez que a agulha a perfurava, de tal forma que o pequeno grande músculo ficaria dorido. Ali, o calor excessivo do quarto fazia lembrar as horas em que a temperatura em baixo dos lençois incomodava os corpos.
No resto da casa um cheiro a ervilhas empestava o ar, enchendo o vazio do jejuar dos poucos crentes que por ali habitavam.

Recordaria, a tempo, que não acreditava em restrições morais, nem celebrava dias santos e na sexta-feira comeria carne (deliciando-se), esperando que também o fizesses.

1.3.07

Entre a tua canção e a minha II


Conta-me histórias… mas sem mais contos de embalar.

Currículo Oculto

- Tivemos a melhor de todas as educações – na verdade, íamos à escola todos os dias…
- Eu também vou todos os dias à escola – disse Alice – não é razão para estares assim tão orgulhosa.
- Com os extras? – perguntou a Tartaruga Fingida, um pouco ansiosa.
- Sim – disse Alice – aprendemos Francês e Música.
- Eu nunca tive posses para os extras – disse a Tartaruga Fingida, dando um suspiro -, eu só estudava as disciplinas obrigatórias.
- Quais eram? – perguntou Alice.
- Para começar mergulhar e nadar, claro! – Respondeu a Tartaruga Fingida -; a seguir, os diferentes ramos da Aritmética: Ambição, Distracção, Derrisão e Repressão.

Lewis Carrol
Alice no País das Maravilhas
Também tens um?