17.6.09

É tempo das cerejas (albinas ou não). Já m'as podes atirar à janela.

15.6.09

Madalena em contrição

(Um dos painéis do políptico "Todos os caminhos vão dar a Catarina". Técnica Mista sobre Madeira. 2004)

O xaile negro, que pusera, dava-lhe um ar semi-instantâneo de falsa beata. Além disso tapava-lhe o decote arrendado a rouge.

Madalena, de seu nome, dirigia-se com o seu melhor ar de arrependida - ensaiara-o, frente ao espelho, enquanto colocava ganchos nos caracóis e arrefecia a carne - ao confessionário da igreja que ficava a caminho do trabalho. Ao olhar de soslaio o chão do falso habitáculo, não conseguiu evitar deliciar-se precocemente com o que se adivinhava sob os joelhos, anunciando a vontade sequiosa de voltar a pecar noutro chão, o da esquina do costume.


12.6.09

À sombra, o azul dos olhos fica cinza


É luz (ou a ausência que ela deixa) que faz o desenho como nos trabalho da Lourdes
Há a perversão do alfinete que se finge ser do peito, de uma qualquer avó, emprestada para o propósito.
Está, a tela do avesso, para se assemelhar à pele.
É retocada com aquele azul, a tatuagem.

8.6.09


Hoje, descobri que era um "berengue de limão".



3657 dias depois


Eram (quase todos) felizes numa pequena grande casa azul com vista sobre as terras e sobre o mar, à qual jamais voltariam.

Em noites de lua cheia, como a de hoje, vêm-me aos mirtilos o olhar malicioso de um cão que sorria ao ver-me vender pensamentos por dez lipas, enquanto se derretiam as neves.


À mesma hora, um fazedor de asas e sorrisos tecia um sonho.

6.6.09

Under the Pink




Sentiu germinarem das entranhas, fixando raízes e movendo-se lentamente sob as pregas da carne e o rosado das dermes. Mordeu os lábios. Os seus.


Aquelas não eram as orquídeas de seu avô, pensou.



5.6.09

Há flores na pele?


À flor da pele

2.6.09

Grite mais baixo, porque esse seu silêncio incomoda-me.

Note to Self (yet another!)

.:.
 i

Isto não é uma flor.

29.5.09

Tardes calorentas


Estes dias de calor, lembram-me percursos pedestres pela 31 de Janeiro e as conversas com a Judite. Ao(s)  dolce faire niente da tarde, seguiam-se episódios de My SoCalled Life, na RTP2.
Viriam dias de estudo, tardes por casa, exames nacionais e decisões
Parece que foi ontem (ou anteontem!). Ainda sinto ecos do calor desse início de Verão.

28.5.09

A cor que não tenho em mim


I dip my hands into the sea/ I poor the ocean over me/ And after all their tide has swallowed all the shore/ I couldn't find you anymore. All the great drifters. They smile the great drifters. (Drifters. Patrick Watson)

Fiz-me louro, dei corda (diz-se que se usam nas forcas) e, depois, foi como naquela música do anúncio.

26.5.09

And


it can make your heart Stop

16.5.09

4 months to Cranberry Harvest


Chegado o vermelho intenso da cor, as camas são inundadas até abafarem as vinhas e os apanhadores fitam o infinito e esperam o despertar dos frutos.

10.5.09

África dela


(1985)
"If I know a song of Africa, of the giraffe and the African new moon lying on her back, of the plows in the fields and the sweaty faces of the coffee pickers, does Africa know a song of me? Will the air over the plain quiver with a color that I have had on, or the children invent a game in which my name is, or the full moon throw a shadow over the gravel of the drive that was like me, or will the eagles of the Ngong Hills look out for me?"
Karen Blixen

8.5.09

Conta-me histórias V

Quem contar Um sonho que sonhou Não conta tudo o que encontrou Contar um sonho é proibido
(Pedro Ayres Magalhães)

Conta-me histórias IV

daquilo que eu não vi

1.5.09

Conta-me histórias III

sem mais contos de embalar.

27.4.09

A look @ things to come

unes à l'intérieur des autres

25.4.09

Clandestino