31.12.07
Luscious Life
"(...)
Hold time no need for the moment of the day
I celebrate i need i need today
Was wondering of the day
To celebrate
To let it be
To feel so free
When you and me in a sweet luscious life"
PS: Can't stop listening it! (Patrick Watson) Ah... e Happy New Year!
25.12.07
A Consoada da Tia Solteira
4.10.07
3.10.07
4.9.07
3.9.07
21.8.07
Evening
- Where’s Harris?
- Mom? Who’s Harris, mom?
- Harris was my first mistake.
- Do you remember your first mistake?
- You were dreaming. That’s all.
- Your First mistake is like your first kiss. You never forget it.
[…]
- There’s no such thing as a mistake. You get nervous, but you sing anyway. I’m just gonna sleep for a moment now.
(MINOT,Susan. CUNNINGHAM, Michael. 2007. Evening - Screenplay. USA:Hart-Sharp Entertainment)
9.8.07
"In Repeat", in repeat
"Can you wait there for so long
Can you be there if I fall
Can you fall and stay strong
Can you dry your eyes and laugh
Can you show me your heart once more
Can you breath a new life now
Can I freeze this moment with you
Can my hand fix your heart and you
Did you ever touch the ground
Can we sing `out of time` in repeat, and look both of us underneath
or forget and reset
Cause the beat will change your life, and the sweat will turn you on, and your veins will shine outside."
6.8.07
4.8.07
3.8.07
Desafio da página 161
"Cada uma delas adora com especial veemência a autoconfiança desembaraçada e afável de Julia, os dias ilimitados que tem pela frente."
Eis as regras do desafio:
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio a cinco pessoas.
(Tks, lunejaune. Apropriei-me.)
7. Ao "leitor"/comentador, mais ou menos fiel, mais ou menos ocasional (esta fui eu que acrescentei!) - que faça o mesmo.
1.8.07
Que um dia a história ---

Os olhos de porcelana a se despedir do ontem, como decidira, e os indícios do consumo, aqui e ali. O contador, nos grãos das vagens – ou era ao contrário? Os novelos cercariam-nas, entretanto, a jeito de forte medieval improvisado, quais leucócitos – assim ficamos imunes, certo?
2.7.07
Até já
29.6.07
Para ilustrar o quê?
É uma das outras.(nunca são as preferidas de ninguém por isso resolvi fazê-las as minhas. Sim, essas... les autres.)
Já não acordo cedo para encontrar por acaso – novas horas mortas e o sono que já não se tem. (é a isto que chamam o cansaço? Ou será que está tudo ao contrário, como naquela canção?)
O chocolate provado mas deixado por acabar de comer. Os chocolates comem-se?
Uma imagem desfragmentada da tabacaria de um outro Pessoa.
Foi para um trabalho… sim! Agora lembro-me, de entre as caixas de lãs encontrei-o.
A crueza das outras imagens encadeadas. A expectância. Não gostei!
Talvez pela fronteira a giz vermelho que desenhei e que a chuva tende a lavar. Não gostas de chuva? I do… Temos pena. Ainda assim trai-nos sempre, não é?
A festa de gentes desconhecidas e emprestadas por outrem.
A música, ao fundo, repetitiva e o silêncio - sim!
O silêncio ensurdecedor das ilhas.
Novelo Branco à sombra. Pele molhada no calhau.
20.6.07
4.6.07
Edit me
A expectância dos cheiros que desaparecem é ensurdecedora e desconcentra-me o trabalho.
3.6.07
29.5.07
Pete's Anatomy
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer (…)”
(Caetano Veloso)
Um estágio diferente da série televisiva que lhe dá nome. Semana das Expressões. Caniço. Esboço. Pintura. Segredo. Caixa. Pincel. Plástico aderente. Mimos ou brincos de princesa. Tinta. Rosa Carne. Pedaços de ti. Anatomia de um coração emprestado. Ilustração Científica. Missanga. Transparente. O que está, mas não se vê. Caixa. Riscas. A ganga que já era pintada, antes da pintura. I am not an acrobat, I cannot perform these tricks for you, no iPod. As conversas que finjo não pescar e a minha resposta torta. Fim de mais um dia de trabalho.
25.5.07
Surprise Goodbye Party
10 Horas. Toque da campainha. Chave que “não precisa” aparecer. Porta da sala aparentemente fechada. A turma toda sentada. Salva de palmas. Professores “ditos estagiários” surpreendidos. Surpresa continua. Sorrisos q.b. Assobios. Palmas continuam. Mensagens no quadro. Lanche nas nossas mesas. Fotografias. Obrigado e um até já.
23.5.07
Habitar
Habitar, a jeito do negro corvo que colecta brilhos no ninho.
Deixaria a promessa de acordar mais cedo para te encontrar, por acaso, oh concha. Começaria a ensaiar o mais fake-surpreso sorriso de sempre.
22.5.07
Café
8.4.07
A Espera
A tarde, lenta e morna, com o seu vagaroso compasso de horas e minutos, cheia de nadas, estender-se-ia até ao toque do telemóvel.
6.4.07
Desejo II

Esta noite, os sonhos tidos foram a dormir, descontrolados e sem rédeas – não entravas em nenhum deles. Esta noite não houve tempo para mantas ou pernas febris – ficaram presos ao ontem. Esta noite, sem cerveja, vinho ou cafés, não houve tempo para dedos entrelaçados ou espasmos corporais – os ais são só meus?
Noite houve, atrás de uma janela por onde se olha para dentro e nunca para fora, em que carne nunca pareceu, tanto, carne - sem, no entanto, ser, sequer, consumida com sofreguidão.
Fronteiras de carne e músculo, aprisionam uma força bruta de ser, querer e vencer.
E hoje? Hoje, chove-lhe no tecto da boca, das nuvens que alberga na língua – do que não deu. Hoje, espera carta enviada mesmo que tardiamente – o selo é excusado. Hoje, espera-te no sítio do costume – ou, mesmo, noutro qualquer – para que com um sorriso, um outro arrebatas.
“Podias ser a última boneca russa… e eu deixava-te usar a coroa”, pensa alto essa estrela moribunda.
Hoje, borda um coração cor de sangue numa tela branca – armadura para coração ou coração elevado a jóia?
Desejo
Laura lê o momento enquanto ele passa. Aqui está, pensa; já lá vai. A página está prestes a ser virada.
Sorri ao filho, serenamente, de longe. Ele retribui-lhe o sorriso. Depois lambe a ponta de uma vela apagada e pensa noutro desejo, que pede seja satisfeito."
5.4.07
Rosa-Carne
No resto da casa um cheiro a ervilhas empestava o ar, enchendo o vazio do jejuar dos poucos crentes que por ali habitavam.
Recordaria, a tempo, que não acreditava em restrições morais, nem celebrava dias santos e na sexta-feira comeria carne (deliciando-se), esperando que também o fizesses.
1.3.07
Currículo Oculto
- Tivemos a melhor de todas as educações – na verdade, íamos à escola todos os dias…- Eu também vou todos os dias à escola – disse Alice – não é razão para estares assim tão orgulhosa.
- Com os extras? – perguntou a Tartaruga Fingida, um pouco ansiosa.
- Sim – disse Alice – aprendemos Francês e Música.
- Eu nunca tive posses para os extras – disse a Tartaruga Fingida, dando um suspiro -, eu só estudava as disciplinas obrigatórias.
- Quais eram? – perguntou Alice.
- Para começar mergulhar e nadar, claro! – Respondeu a Tartaruga Fingida -; a seguir, os diferentes ramos da Aritmética: Ambição, Distracção, Derrisão e Repressão.
Alice no País das Maravilhas
16.2.07
3.2.07
Não digas nada
PS: para ouvi-lo, aconselho Margarida Pinto! ;)
17.1.07
Hoje
(Depeche Mode)
Hoje, apenas hoje, façamos de conta que isto é, mesmo, real. Vamos ignorar este cerco de muralhas de água altas – demasiado altas! Não, isto não é um rochedo aqui plantado.
Hoje, só hoje, vamos fazer de conta que realmente nos importamos e que há, mais lá fora, do que apenas isto. Faz de conta que os cavalos já não choram e ri como se, realmente, o sentisses.
Caso contrário, pede ao teu corpo para falar mais baixo, para não o sentir tão ensurdecedor. Já tenho tangerina nas mãos e não estou para parti-la! Até porque ainda ontem comia maçãs, em chão de casa emprestada.
Esta carcaça de falsa morada, um dia, colapsa sob o peso desse corpo morto com que teimas em passear. Já te expliquei que estes nossos diálogos a surdina não levam a sítio algum – estamos, aqui, parados à esquerda do meio há três centenas e meia de dias. Perdi a pachorra para te contar no calendário e os relógios que uso são só ornamento – pensei que subesses.
Hoje apenas hoje, fica aqui, sem falar. Ou então faz-te a esse avião de papel e segue, logo, um outro rumo.
12.1.07
Nem com maçãs te apago II

Forras o teu interior a pele de raineta, na esperança de que, dentro dessa casa de cor rosada, consigas albergar esse meio sol em crescimento. E enquanto o forras, para não teres de soprar tanto os ponteiros do relógio, supões as cartas por receber – haverão mais, certo? Colchões, almofadas e edredões, pouco te irão ocupar e acordas antes do despertador.
Unes com fio de estendal o anteontem, o hoje e o amanhã de forma a te atares ao chão e a não esqueceres caminhos mal trilhados - seguindo o exemplo dos gémeos da casa de chocolate. Migalhas de pão alimentarão pássaros e tu sabe-lo melhor!
Acumulas maçãs quentes como malaguetas num canto do habitáculo, como se uma toca abastecesses e pisas, sem meias ou sapatos, esse soalho emadeirado. Apagarão a outra metade de sol que tens em ti, pensas.
Não receias, no entanto, intempéries invernosas, até porque sabes que aguentarias um nevão sem pestanejar. Delicias-te com a tua desfaçatez e essas letras por descobrir.
Amanhã
Mas com o pesar dos relógios e dos dias, que teimam em apressadamente passar, ensaiam-se conversas de ocasião, ocas de sentido e pesadas de constrangimento. Diz-se aquilo em que não se parece acreditar, para em jeito de cartada final, o desdizer.
Oferecem-se convites com mão recolhida e finge-se não perceber as meias verdades suspensas no ar como se de bolas de sabão se tratassem.
Ao fim do dia, reclama-se a jeito de egoísmo infantil as faltas e ausências do agora, sonhando com um ontem ficcionado.
Amanhã? Amanhã nascerão bebés enquanto outros são feitos, correr-se-ão maratonas a passo de caracol, travaremos diálogos sem escassez de pormenores, comer-se-ão (sofregamente) laranjas inteiras abertas com mão emprestada, cantar-se-á bem alto na pauta mais desafinada que houver, dançaremos electricamente com quem estiver ao lado, sentiremos borboletas ou outro insecto qualquer a bater asas na barriga (ou não!). Amanhã? Amanhã apanharemos autocarros e aviões para destinos mais certos, acompanharemos em directo mais uma execução, fiaremos novas teias de enfeite, faremos piadas mordazes e corrosivas só para quem puder entender, reabasteceremos corpos de beijos e beberemos vodka da garrafa com o gelo e o sumo à parte.
Amanhã? Pedirás a cartola emprestada ao Chapeleiro Maluco da Alice, porque te faltou uma tiara, ainda que não o vestido. Amanhã? Amanhã reclamarás, novamente a minha ausência e engolirás sorrisos tão descartáveis como cartão, brindando com o champanhe que derramas.
Santas, Princesas e Ervilhas
Pedro Berenguer conta histórias no silêncio – espaço onde coabitam os corpos, os sonhos e os dias. As suas pinturas são territórios para as donzelas (de hoje, mulheres/manequins ou corpos, ou de ontem, figuras históricas ou santas, ou apenas mulheres com nome de baptismo) inventarem a cidade, a casa, o quarto, a janela, a carta… ou o olhar de alcatrão que penetra o espectador e baralha o seu mundo. São histórias. Era uma vez está ausente ou não se lê, sente-se. O fim, the End, é o devir de uma nova narrativa, de um corpo que habita a casa ou morre na concha de uma mão inventada. As palavras escritas (por linhas tortas, como as vontades dos anjos) procuram a bússola dos dicionários, dos livros, das revistas ou do ponteiro do relógio (e da hora apagada).
Vejo nestas pinturas (e no seu desenho) a ideia de alfândega – onde tudo é despachado, até os corpos, mortos (também podem ser moribundos porque os homens não separam a vida de pré-morte); até as palavras, inteiras (também podem ser fragmentadas porque os homens há muito que abandonaram a casa); até as cores, quentes (também podem ser frias porque os homens perderam o sentido do norte e do sul); até as cartas, escritas (também podem ser apenas páginas brancas porque os homens adormeceram).
Leio nesta pintura a ressaca de palavras baralhadas com sentido de ocultar/desocultar o eu (teu, meu ou dos outros) de um actor sem palco, sem texto, sem estreia marcada, mas com a coreografia desenhada num útero candidato a sonho.
Pedro Berenguer escreve histórias no silêncio – espaço onde os amores gelam nas ruas sem número de polícia. As suas pinturas revelam as bocas cadentes que estorvam os prazeres da epiderme e as paisagens (aqui corpóreas) são revestidas pela pele do corpo (e dos corpos) e da palavra (das palavras).
Dezembro de 2004
Last Christmas

No Natal passado, abstraímo-nos dos objectos e elevámos as suas abstracções à potência máxima, suspendendo-os, no intermédio de tectos, e com a sua ausência de peso, ao passeio atrevido e jocoso do ar.
No sub-solo semeámos estrelas e sentámo-nos a ver o silêncio assentar, enquanto à sombra falávamos.
1.1.07
The Time of the Turning
25.12.06
Espírito Natalício
In this festive season, Mary Christmas and Santa Claus are getting, each other, a divorce.
20.12.06
Coleccionador de areias
Wake up we're almost there,
just ten more miles it was such an affair,
that in all our lives we've waited for this day.
it's shining like gold and little different than the one before
and who would've though that you would contemplate.
(Josh Rouse, in Under Cold Blue Stars)
Quando a areia assenta, não há tempo para falsas tartarugas a discutir aritmética com Alice ou para pérolas atrevidas a se esconderem por entre as pregas da pele, por baixo da carne. Cantam-se canções quase desconhecidas para ninguém ouvir e ecoa-se de volta. Canto eu e cantas tu. Não nos ouvimos.
Tenho nos pés uma quantidade de grãos de açúcar mascavado. Pesam-me. Penso nas crianças que, aqui, correram quando o calor se sentia e no deleite dos coleccionadores de imensidões numa praia como esta. Colocariam uma pequena porção, decerto, em frasco não muito espelhado de forma a não turvar a vista, nem tão pouco muito exposto aos beijos atrevidos da luz que a gastariam. Não sei o que escreveriam na sua etiqueta com suas canetas de pena, compradas para a ocasião – esse ritual de a colocar.
Um grande “P” (sim, um pê!), flutua, no amarelo empardecido do oceano, ao jeito de calhau esquecido ou de mensagem não bebida e esquecida em garrafa por ler e tu ficas a olhar o tom rosado de um sol cansado e um céu que não se põe. A letra toca as fronteiras não desenhadas de figuras geométricas traçando rotas que não ficarão por seguir – certamente! Far-me-ei a elas em barco de papel.
Em prateleiras alheias e coleccionadas de praias, encontram-se continentes e durante a eternidade, dunas engarrafadas fitam-se como amantes impossibilitados de tocar por esse composto transparante, por eles formado.
Continuo nas minhas cantorias, adormecendo o menino do coro que há em mim.
Volto a colar-te frases soltas no tecto da língua, semeando-me.
Lê-me as entrelinhas, onde os icebergs derretem, enquanto pensares em postais de natal. Lê-me entrelinhas desenhadas em areia abafada pelo mar, durante três dias consecutivos e prometo que fico aqui.
This is not a story or a fable
Em terras menos longínquas, a incompetência e geografia de seus próprios limites tenta ser abafada por (excesso de) trabalho (para os outros!).
19.12.06
15.11.06
Swallow's Ceremony
Oh I'll break them down, no mercy shown
Ceremony, New Order, 1987
Sem ninho ou mantimento de reserva rodopiou tendo consigo, somente, um sorriso maroto, mas envergonhado, e aquela estranha confiança a quem as coisas correm, repetidamente, bem. Como não acreditava em deuses da maioria ou, mesmo, aos esquecidos pagãos, fez ninho em menos de seis dias e não descansou no sétimo. Em vez disso, lá faz uns descansos ocasionais entre piruetas e voos contra-picados e adapta-se, SEMPRE, à corrente.
Passam ciclos e luas, ventos e chuvadas, beijos e beliscões. Passam caracois e tartarugas por todo o lado, e, também, ninhos por riachos e tutinegras pelo ar.
Quanto ao menino que, um dia, chorou desalmadamente por uma dessas aves da Primavera, morta entre o vento molhado e o pára brisas, cresceu, seguiu o conselho dado e esperou, ali, no virar da esquina onde a andorinha sorri para si.
Por fim, correm-se jardins, saltam-se festas e trocam-se beijos na madrugada. Ri-se bem alto e não se olha em volta.
13.11.06
Catarina II
Essa noite, em que o chão de madeira fora menos frio que a chuva que caía. Ao contrário, das suas amigas estava farta de esperas que não lhe faziam qualquer sentido. Nesse dia decidira que a pressa não seria inimiga da perfeição. O tempo passara e as noites como aquela repetiriam-se.
Agora, seis anos volvidos, deliciava-se com aquele medo adolescente de ser tocada, qual virgem envergonhada. Antes de sair do trabalho, chamou, histericamente, a colega Maria, que acabava de ser deixada, por um carro preto, na berma da estrada. Maria, uma mulher de quarenta e dois anos, mas que se vestia como se tivesse menos vinte, fitou-a com o sorriso frio que dava aos homens casados com quem tomava cafés depois do almoço.
Aquele mexer de lábios gélido parecia deitar ao chão todos esses sonhos vãos, afinal ela era uma das que “se usa sem agitar e sem fingir ternura”. Tirou a liga, no meio da rua e atirou-a para os arbustos repetindo baixinho, para si mesma em jeito de lenga-lenga, treze vezes “as putas não amam!”
Aconchego
Da-da
9.11.06
An ocean wrapped around a pineapple tree
Os barcos de papel fazem portos em covas de sorriso e descem decotes, avizinhando mãos a seguir trilhos de pegadas, enquanto se dança na relva com o dormir do sol.
Mesmo assim, corre-se até à praia, e, em tom de desafio, testam-se limites. Em planícies, dali avistadas, onduladas a pincel e tesoura, rodopia-se até cair e diz-se o que à boca vem, sem freios, deixando soar.
E porque, noutros portos, a areia é outra, experimentam-se alternativas ao atirar roupas para o chão e perdem-se apostas, já que, uma vez mais, as punições são mais doces do que as vitórias. Fica-se cheios de grãos que como açúcar incomodam o corpo e entranham-se na carne, mas sem formar pérolas, como a penetrar saias de ostras. Por fim, ri-se muito, olha-se o despertar do sol e enrolam-se oceanos inteiros em bandejas de frutos.
Depois, dias, há, em que se deixam os mesmos barcos seguir a sua corrente, sentados em sorrisos que não damos, observando novas rotas, em oceanos de cartão.
Porque, às vezes, não tenho, mesmo, pachorra!
30.10.06
Truísmo
Preenche o teu espaço com dias, os teus dias com silêncios semeados e os nossos silêncios com tangerinas.
22.10.06
18.10.06
13.10.06
Finge
Brinda por ti, hoje e por enquanto!”
(Xana)
Não. Aquela não seria a sexta feira 13, prevista no calendário até porque se tinha perdido o medo do escuro e dos papões não seria um mero dia no calendário a assustá-la. Andrea ergueria a cabeça da almofada, iria às aulas, vestiria a sua melhor roupa e prenderia as ondulações do cabelo em molas tão cor-de-rosa como a atitude espirituosa que se queria. Não ouviria as gargalhadas, nem mesmo os comentários jocosos e não se sentaria no sítio, à parte, como de costume (mais não fosse porque a isso tinha sido forçada!).
O dia passaria a correr e a noite, quando chegasse, seria coberta de sorrisos adocicados mas falsos como se queriam.
Finge hoje, amanhã e ontem.
Little Monsters sim, mas são os meus!
(…)
little monsters that rule the world you don't know what you're really saying stop before someone ends up getting hurt can't you see that we're only playing”
(Charlotte Gainsbourg)
Obrigado, oh “little monsters”! E que venham mais semanas iguais a esta.
6.10.06
A Mancha Vermelha
28.9.06
Pensar em grande
Isto a ver bem, até ao fim do ano, se a história se arrastar, muita cabeça vai rolar!
27.9.06
Quando eu for rei
O homicídio nunca fora tão doce ali ou em lugar algum.
24.9.06
À espera
Vais por aí e eu por aqui. Escreves um novo capítulo no teu livro e eu continuo com o desenho anterior.
Fechas a porta. Vou esquecer que, às vezes, isto também faz doer.
Hoje finjo que não vou retroceder e digo-te adeus.
Volto à casa antiga se disseres o meu nome, baixinho. Bai-xi-nho e soletrando-o dentro da minha boca, enquanto encostas o teu corpo ao meu.
Chama-me se quiseres. Eu espero, mas fingirei não estar.
Chama-me antes que parta outra vez, para lugar onde não mais se espera o que já não volta.
21.9.06
Bonecas Russas
Gostara daquela imagem, tanto como do beijo dourado de Klimt que o fascinava ainda como naquela primeira vez que o tinha visto num livro de Filosofia. Guardara-a como se acautelam os segredos ou lábios roubados. Fizera dela lema e truísmo, até ao dia em que o ontem lhe bateu à porta e ocupou-lhe o hoje e o amanhã. Nunca contou que uma das bonecas, deixadas para trás (pensava ele) lhe despertasse o desejo antigo de desvendar, abrir e possuir.
“I already had let you go”
20.9.06
A Festa
A noite caíra e trouxera as gentes de todos os sítios, com as suas gargalhadas estridentes e conversas de ocasião para aquela festa. As prendas amontoavam-se ao pé da cadeira Hepplewhite.
Juliana sorvia, golo após golo, aquele que lhe parecia ser o martini mais interminável e fitava o casal a falar. Olhou-os enquanto trocavam os sorrisos e palavras embaraçadas de quem acabara de se conhecer. Ela que usava o decotado vestido vermelho comprado uma semana antes a pensar na ocasião - o aniversário dele - e calçava sapatos às tiras. Sentiu-se mais nua do que nunca. Mais nua do que tinha estado na véspera quando lhe levara canja de galinha para curar a gripe de ambos. Mais despida do que quando correra para o mar, naquela noite, após as mensagens de telemóvel dele. Mais descoberta do que quando tomara duche aquele Domingo tardio, antes de voltar para casa.
De olhos postos nos dois, mordiscava os lábios enquanto soltava dois grandes prantos silenciosos. Apenas dois!
Àquele copo de martini seguir-se-ia outro, e outro e mais outro ainda… Até perder conta de quantos copos tinha tomado. Dançaria o resto da noite com cada um dos olhares que coleccionara, tendo-os aos dois sempre em mente. Eles que, entretanto, haviam desaparecido, por entre as caras menos e mais familiares, para o carro dele.
Adormeceria num canto qualquer a lamber as feridas que não estavam à vista, mas por baixo da carne, enquanto sonhava com corpos incandescendo ao nascer do sol.
19.9.06
The Best Friend u Can Ever Have
Não daquelas que só se lembram de nós quando fazemos anos… Não das que só telefonam para as saídas de Sábado à noite… também não das que temos o “prazer” de ver num café mensal ou quando terceiros fazem anos. Não é, tão pouco, daquelas de quem perdermos (ou perderemos contacto).
Sofia Isabel é um daqueles raros achados que já não mais se largam. É daqueles tesouros que se trazem cá dentro sempre no lado esquerdo a caminhar para o meio a pulsar e a bater. E porque tentar definir o indefinível que é esta fabulosa mulher passará sempre por eufemismos da minha parte…
(PJ Harvey)
“You're already in there
(Tori Amos)
“You lye, eyes closed,
(Coldfinger)
“All my world in one grain of sand”
(Alison Goldfrapp)
15.9.06
Apagando estrelas
14.9.06
A viagem de Alice

Agora, ao olhar para trás, Alice não se conseguia recordar de uma única vez em que a avó, uma mulher de grandes e ternos olhos azuis e pele enrugada como papel, tivesse abandonado aquela casa de tom rosado que viria a habitar.
Durante muito tempo culpara, a avó e as suas histórias, do rumo que a sua vida tinha tomado, mas deixaria de acreditar em linhas traçadas na palma da mão ou em contos de mulheres que tinham começado a vestir o preto como armadura à espera de algo que não viria.
Era aquele o momento decisivo. Aquele ali e agora. Sim… ali! Na casa com vista para o mar que albergara o sal das outras antes dela.
Nas últimas semanas havia ansiado por um bilhete para lugar nenhum, longe das pontes e das pessoas conhecidas. Ao contrário daqueles jogos que a divertiam em adolescente, em que os castigos eram sempre mais doces que a confissão, este não era, agora, o caso. Chegava de se castigar… afinal nem fizera nada de especial. Sim… chegara daquele sentimento de culpa que lhe percorria o sangue como uma doença.
Deixaria tudo para trás de forma a poder começar de novo. Olharia uma última vez para a casa à qual, jamais, voltaria. A acompanhá-la não iria sequer a velha boneca. Tomaria uma estrada diferente e nunca atravessada algures, à esquerda do meio de um mapa por traçar.
Afinal, para Alice, aquilo já era um começo.
8.9.06
Porque eu falo por enigmas (or so they say!)
- … também contam histórias! A mim contam… A ti não?
LOL Deixo desde já, aqui, humilde pedido de desculpas às minhas professoras de português – Rita, Clotilde, Fernanda, Ana, Inês: aparentemente enganei-vos!
Adaptando, então, o que me segreda, ao ouvido, Fiona Maçã (leia-se a grande senhora Apple): “I’ve been a bad bad boy!”
7.9.06
Pêssego e Açafrão
Mais recentemente, ao visitar um blog que lhe é querido, deu com a autora (que brilhantemente escreve) a descrever o cheiro de broas quente com manteiga acabadas de sair do forno da avó.
Nesse dia, recordou um encontro envergonhado no vão de escada e a conversa improvável que se seguira.
- Olá andorinha!
- Como sabias que era eu?
- Cheirei-te quando vinhas no andar de baixo.
- Cheiraste-me? E a que cheiro eu?
- A andorinha!
- Já cheiraste uma andorinha?
- Não, mas calculo que cheirem a pêssegos frescos e a especiarias de longe, embaladas pelo vento.
- Ah… Cheiro a pêssegos frescos!
- Claro que não! Mas pêssegos são doces e macios...
- Então e as especiarias? É o meu ar exótico?
- Tu não tens um ar exótico… Mas, novamente, disse-o porque achei que ficava bem. Seja como for não sei descrever-te a que cheiras! Sei que vicia como chocolate. Sei que pede aproximação. Sei que se liberta e infesta o ar por onde passaste. Sei que o farejo, ao longe, como fazem os cães e o levo comigo para todo o lado onde vá, entranhado na roupa, como naquela noite em que te encostaste a mim e nem com água a ferver te consegui afastar.
(silêncio)
- Então adeus, oh andorinha!
- Então adeus, oh voador.
Sorrira para dentro, mas bem para dentro para não dar a perceber. Seguir-se-iam um “olá”, rápido e fugidio como água nas mãos, e semanas a temer um mero vão de escada.
5.9.06
A Carta
Nestes dias de ardência imensa, em que os homens descansam sob pomares e bebem sumos da terra para se refrescar, lembraste-a e fitando o escrito e libertaste-o ao vento.
Antes de levantares voo fitas o ontem de relance. Esse ontem cheio de frutos sumarentos e cor adocicada.
Semeias o que tinha ficado por dizer e jubilas com a tua própria permissão. Já não precisas engolir toda a água dos riachos, nem tão pouco ter o mar nos olhos.
4.9.06
Nem com maçãs te apago
Soube desde logo que aquele não era um calor comum. Já o tinha sentido em tempos mas a chuva de fim de Inverno tinha-o conseguido apagar. Depois quando pressentia que o calor pudesse chegar, tratava de abrir a caixa de novelos que guardava no sótão e fiar uma mais história. Depois outra e depois outra, cada uma delas mais gélida que a anterior de forma que o Verão não chegasse.
Temeu o Verão mais do que qualquer outra das estações. Naquela manhã de Setembro, enquanto outros se preparavam para o arrumar na mala, sentiu a sua chegada. Era silenciosa para todos, menos para si. Em vez do sossego que todos pareciam sentir, ouvia a voz desse sol inteiro dentro de si.
Familiar como era, aquele calor, resolveu matá-lo, não com histórias contadas de “eu para eu”, mas com maçãs. Era isso! Sim! Maçãs! Passaria o dia a maçãs… umas depois das outras. Primeiro, vermelhas cor-de-sangue e depois outras tantas verdes (do verde mais frio e ácido que conseguisse encontrar). Se entretanto o calor persistisse comeria garfadas de gelo e mergulharia até ao fundo do oceano, não para falar com peixes mas para apagar aquele estranho arder.
A passagem do dia seria vagarosa, tão vagarosa que sentiria o lento andar dos segundos no grande relógio que cantava na sua pequena casa cor-de-rosa. O sol que sentia dentro de si parecia ter-se alastrado e infectado a própria casa, que, agora, pulsava como um coração gigantesco e contentor.
Seguiria o plano agendado e o verão daria lugar a um Outono precoce… Sim, tinha de ser! Não gostava do Verão – já o decidira e não voltaria atrás com tão pesada decisão. Odiaria o Verão, como até aí. Aquele era , afinal, um dia como os outros, marcado (talvez sim) de forma diferente no seu calendário… mas um dia como os outros.
Com o cair da noite, vestiu o linho mais fresco que tinha no armário, não fosse a temperatura subir outra vez e esfregou-se nas maçãs de pele castanha e áspera como a língua de gatos e de cheiro intenso, que lhe cobriam o chão do quarto.
Olhou uma última vez para o relógio barulhento. Mais umas horas e o novo dia chegaria. Se evitasse trocas de olhares, o sol apagar-se-ia assim como se tinha aceso, pensou.
Tudo correria como planeado a não ser por dois ou três lapsos - teriam sido mesmo tão poucos? Sentiria o sol crescer mais uma vez e nem mesmo o virar do calendário pareceria afectá-lo.
O convite para o mergulho tardio parecera-lhe, então, tão tentador como acertado. Mergulharia até ao fundo. Sim! Era esse o novo plano. Desde que evitasse ostras, o sol apagar-se-ia.
Não se viria a apagar, no entanto.
Parou de tentar contê-lo. Agarrou-o com ambas as mãos e saboreou-o sofregamente como se de uma sardinha assada se tratasse.
Sim chegara o Verão para si também e não o conseguira evitar. Tinha-se rendido a ele e à geografia dos seus próprios limites.
Não culparia aquele estranho sumo rosado com frutos a boiar. Não culparia sequer as maçãs ou o gelo que de tão quente não tinha apagado o sol. Não culparia sequer os olhos que teimavam em aparecer aqui e ali.
Culparia cada um dos novelos. Culparia cada uma das histórias por eles contadas. Culparia a casa que pulsava.
Sim… Chegara o Verão!
1.9.06
Explosão agridoce
Quase dois meses, sem aqui pôr pés ou escrever fosse o que fosse; em vez disso, dei comigo a magicar este e aquele post enquanto os dias corriam como areia entre as mãos. Bom... alguns dias!
Façamos o balanço:
Um ipod roubado – checked!
Uma pintura desaparecida – checked! (e sim… vai alguém pagar os 500 euritos! Mais não seja quem o tinha pedido para andar a tapar buraco em exposições, aqui e ali)
Malucos stalking me – checked! (dois detectados: ex-professora completamente perdida e junkie)
Trolhas e pintores por toda a casa – quantos “checked” devo pôr aqui?
“Cenas estranhíssimas”, chamemo-lhes assim! – checked! (e excluindo as outras!)
Ah pois… fora quase dois meses de “el doce faire niente”, nem sempre assim tão doces (mas quem não gosta de um pouco de agridoce?) e a caminharem para o fim. Corram! Corram grãos de areia… corram para outra praia. Uma a distância de um ano, não luz!
Mas antes disso:
“Excuse me
Tenho de pedir “se faz favor”?
“I'll be brand new
Brand new tomorrow
A little bit tired
But brand new!”
(Obrigado, oh Bjork!)
6.7.06
Matilde

Longe vão os tempos em que tomavas cafés adocicados enquanto vias, deliciada, os estrangeiros (e os conhecidos!) passar. Rias-te com os nossos comentários mordazes sobre os transeuntes e eu também!
Hoje a tua delícia é outra – olhas a ecografia da ervilha que abraças em ti, confortada pelo calor que ela te traz.
Não estás, contudo, certa das companhias de hoje ou de amanhã. A indeterminação segue-te, uma vez mais!
Não sabes o que ou quem irás consumir ou mesmo como morderás as horas que te seguem.
Tão pouco sabes se as tuas muralhas de cartão sobreviverão a intempéries que conheces como certas.
Sabes, apenas, a segurança de um começo.
És vagem que baloiça nos ervilhais contendo em si a promessa do amanhã.
1.7.06
O que te faz chorar?
- Os filmes e as canções! Fazem-me chorar os filmes, mas só quando ninguém está a olhar… Sabes que os icebergs não derretem mesmo no Inverno, não podem verter água ou o mundo inteiro seria engolido. É uma questão de altruísmo, percebes? (risos)
- Sim. Tens razão! Icebergs não podem chorar.
- Então e a ti? O que te causa lágrimas?
- As saudades! As saudades matam-me! Não aquela simples melancolia ou tristeza que bate de vez em quando… Saudade, esse sentimento tão português!
E senti-me, eu, mais português nesse mesmo instante do que em semanas a levar com bandeiras e a ouvir falar de golos.

































