2.6.08

Semana das Artes - Instalação dos alunos




Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva.

De 2 a 6 de Junho.



Instalação Colectiva


Educação Visual e Tecnológica - Alunos do 2º ciclo

Educação Visual - Alunos do 9º 2


26.5.08

odeio


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22.5.08

Ancient History





Morangos... sempre morangos!. Técnica Mista sobre MDF. 2003

A fotografia não está grande coisa e já lá vão uns anos... desde que o pintei e que o vi pela última vez. Faz parte do espólio da UMa (será que estarão a tomar conta dele? Melhor não saber!).

21.5.08

Se perguntarem por mim, não estou.

17.5.08

Before Sunrise

We are stardust.

Prince Charming goes to a Wedding

E deliciou-se com a possibilidade de, à meia-noite, voltar a ser abóbora.

14.5.08

Ilustração de André da Loba

Quero fazer contigo o que as agulhas de tricot fazem com os novelos de lã.

Não costumo postar imagens que não sejam minhas, mas esta tinha tudo a ver comigo, assim como a frase, e não resisti. (Fica aqui o site onde a encontrei http://www.andredaloba.com/)

25.4.08

Há um mês era assim


A minha Londres é feita de neve (dandelions?) a cair e backyards escondidos e cheios de entulho. Ali, acorda-se às 5 ou 6 da manhã com o sol a bater na cara e comem-se torradas quentes com café a fingir, vestem-se todas as malhas e casacos que temos por perto (and then some!), usam-se cachecóis sem condizer, lêem-se gossips no jornal do metro, fazem-se maratonas em museus e fingem-se oferecer avelãs e nozes que não temos a esquilos de verdade. À noite passeiam-se pelos trilhos das falsas estrelas e aquecem-se os corpos com cobertores emprestados.

7.4.08

3º Prémio Pintura BANIF


Fotografia de Rita Rodrigues


Album de Família, em Exposição no Salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
Rua Barata Salgueiro, 36. 1250 - 044 Lisboa
Abril de 2008

"Os participantes foram previamente seleccionados pelos cursos de Pintura das Instituições de Ensino Artístico de nível universitário e secundário, conforme informação do Ministério da Educação."

2.4.08

Conta-me histórias III

Excuse me, I just have to puke.

Back & Off again.

21.3.08

London Call

Vou ali e já venho.

29.2.08

Beatriz

... na voz de Maria João.


Há som mais perfeito?

21.2.08

Já dizia a minha avó

Quando os porcos bailam, adivinham chuva.

8.2.08

Tira-teima

Não, a Cusca não era eu... apenas criei sua máscara. Sou apenas mais um sobrinho.

Aqui fica a prova...





1.2.08

Linhas da Levada

Em dia de festa na Escola, saiu a Tia Cusca do sotão para quadras ofertar.
"É um rapaz muito prestável
Que nas Artes bem singrou
Mostra sempre muito amável
Uma máscara elaborou
Nesta escola da encosta
Bem integrado ele está
Tem sempre boa resposta
E que alegria me dá"

PS: Para levar com rimas destas até dá gosto ir para o trabalho! Obrigado Dona Cusca e Cuscas sobrinhas.

9.1.08

Cotton Tangerine


No dia em que as flores comeram os pássaros, encheu-se o sol de água salgada, apagaram-se cada uma das estrelas da Via Láctea e arredores e a estranha tangerina de algodão tombou.

PS: Há dias em que não há nada pior do que ser-se adulto e aperceber-se da brevidade da vida!





31.12.07

O Castigo é mais doce que a Confissão


2007. Chapéu da Esperança. Espaço Diário de Notícias - Galerias São Lourenço. Funchal

Luscious Life

"(...)
Hold time no need for the moment of the day
I celebrate i need i need today

Was wondering of the day
To celebrate
To let it be
To feel so free
When you and me in a sweet luscious life"


PS: Can't stop listening it! (Patrick Watson) Ah... e Happy New Year!

25.12.07

A Consoada da Tia Solteira




Naquela noite, pôs os rolos no cabelo, leu todos os postais e revistas cor-de-rosa que encontrou, comeu todas as broas e chocolates que tinha, quase encomendou um daqueles aspiradores a vapor dos anúncios, viu todas as novelas da televisão e acreditou em todas as astrólogas que lhe prometiam saúde e amor para o ano que se avizinhava.
in Pintura NA TAL Ilha. Casa da Cultura de Câmara de Lobos. Dezembro de 2007 a Janeiro de 2008

4.10.07

Já dizia o Pin

"You say I'm a bitch like it's a bad thing"

Note to self

Não mostres que és inteligente!

3.10.07

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Só porque apeteceu!

4.9.07

I Might be wrong

Surpresa? Ou então não!

3.9.07

1/4 de século

21.8.07

Evening

- Where’s Harris?
- Mom? Who’s Harris, mom?
- Harris was my first mistake.
- Do you remember your first mistake?
- You were dreaming. That’s all.
- Your First mistake is like your first kiss. You never forget it.
[…]

- There’s no such thing as a mistake. You get nervous, but you sing anyway. I’m just gonna sleep for a moment now.



(MINOT,Susan. CUNNINGHAM, Michael. 2007. Evening - Screenplay. USA:Hart-Sharp Entertainment)

9.8.07

"In Repeat", in repeat

"Can you wait there for so long
Can you be there if I fall
Can you fall and stay strong
Can you dry your eyes and laugh
Can you show me your heart once more
Can you breath a new life now
Can I freeze this moment with you
Can my hand fix your heart and you
Did you ever touch the ground

Can we sing `out of time` in repeat, and look both of us underneath
or forget and reset
Cause the beat will change your life, and the sweat will turn you on, and your veins will shine outside."

(The Gift. In Repeat, 2007)
Can't stop listening!

6.8.07

Posso ter férias das "férias"?

4.8.07

Explodir


Hoje apetecia.
... e ficar a ver as palavras soltas assentarem.

3.8.07

Desafio da página 161

"Cada uma delas adora com especial veemência a autoconfiança desembaraçada e afável de Julia, os dias ilimitados que tem pela frente."


(CUNNINGHAM, Michael (2003). As Horas. Lisboa:Gradiva)

Eis as regras do desafio:
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio a cinco pessoas.
(Tks, lunejaune. Apropriei-me.)

7. Ao "leitor"/comentador, mais ou menos fiel, mais ou menos ocasional (esta fui eu que acrescentei!) - que faça o mesmo.

1.8.07

Que um dia a história ---




Cansado dos sorrisos ensaiados e do artifício pensado das gentes que, ali, passeavam a roupa de ocasião empunhando os seus copos de espumante colorido com essas bagas silvestres congeladas que já poveiam os supermercados, reagrupou toscamente os pedaços de janela sobre as incisões da pedra.
Os olhos de porcelana a se despedir do ontem, como decidira, e os indícios do consumo, aqui e ali. O contador, nos grãos das vagens – ou era ao contrário? Os novelos cercariam-nas, entretanto, a jeito de forte medieval improvisado, quais leucócitos – assim ficamos imunes, certo?

A resposta contida

- Oh… está tão bonito, hoje...
- Isso é porque não me vê nos outros dias! ;)

2.7.07

Até já

And if you feel a little left behind
I will see you on the other side
(Okereke, Kele. Banquet. Silent Alarm)

Somewhere else




Colhidos os silêncios, partiu em busca das horas ruidosas da pequena grande cidade.

29.6.07

Para ilustrar o quê?


Não. Esta não é umas dessas flores de papel. Nem mesmo das que povoam geometrias decalcadas.
É uma das outras.(nunca são as preferidas de ninguém por isso resolvi fazê-las as minhas. Sim, essas... les autres.)

Daquelas… amputadas de suas raízes e postas ao ver.
Já não acordo cedo para encontrar por acaso – novas horas mortas e o sono que já não se tem. (é a isto que chamam o cansaço? Ou será que está tudo ao contrário, como naquela canção?)
O chocolate provado mas deixado por acabar de comer. Os chocolates comem-se?
Uma imagem desfragmentada da tabacaria de um outro Pessoa.
Foi para um trabalho… sim! Agora lembro-me, de entre as caixas de lãs encontrei-o.
A crueza das outras imagens encadeadas. A expectância. Não gostei!
Talvez pela fronteira a giz vermelho que desenhei e que a chuva tende a lavar. Não gostas de chuva? I do… Temos pena. Ainda assim trai-nos sempre, não é?
A festa de gentes desconhecidas e emprestadas por outrem.
A música, ao fundo, repetitiva e o silêncio - sim!
O silêncio ensurdecedor das ilhas.


Novelo Branco à sombra. Pele molhada no calhau.

With us? It's never off the table...

20.6.07

18

Após um ano de (muito) trabalho. Sequinho e sem direito a casa decimal.

4.6.07

Edit me



No silêncio das ilhas, descolorei toda a pele a fim de a oferecer a jeito de mensagem subliminar no formato de livro de colorir. Quanto ao umbigo… tenho de pensar no caso!
A expectância dos cheiros que desaparecem é ensurdecedora e desconcentra-me o trabalho.

3.6.07

Tangerine

Still got your taste in my mouth.

29.5.07

Pete's Anatomy

“Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer (…)”
(Caetano Veloso)

Um estágio diferente da série televisiva que lhe dá nome. Semana das Expressões. Caniço. Esboço. Pintura. Segredo. Caixa. Pincel. Plástico aderente. Mimos ou brincos de princesa. Tinta. Rosa Carne. Pedaços de ti. Anatomia de um coração emprestado. Ilustração Científica. Missanga. Transparente. O que está, mas não se vê. Caixa. Riscas. A ganga que já era pintada, antes da pintura. I am not an acrobat, I cannot perform these tricks for you, no iPod. As conversas que finjo não pescar e a minha resposta torta. Fim de mais um dia de trabalho.

25.5.07

Surprise Goodbye Party



10 Horas. Toque da campainha. Chave que “não precisa” aparecer. Porta da sala aparentemente fechada. A turma toda sentada. Salva de palmas. Professores “ditos estagiários” surpreendidos. Surpresa continua. Sorrisos q.b. Assobios. Palmas continuam. Mensagens no quadro. Lanche nas nossas mesas. Fotografias. Obrigado e um até já.

23.5.07

Habitar


No apartamento emprestado, vazio de outras gentes, um abraço provocado pela vontade de tocar ou pela sofreguidão da carne que se quis (in?)oportuna, encheu esse teu dito espaço protegido com paredes caiadas a vermelho de casas antigas. É a pele das casas que se quiseram em extinção e os bebés que se queriam até acidentais.

Habitar, a jeito do negro corvo que colecta brilhos no ninho.


De dia, actualizaria esses jornais públicos semeados de nossas mensagens subliminares e à noite comeria tangerina, sofregamente, e com a ajuda das mãos.

Deixaria a promessa de acordar mais cedo para te encontrar, por acaso, oh concha. Começaria a ensaiar o mais fake-surpreso sorriso de sempre.

22.5.07

Café




Sábado. Café. Riso atrapalhado. Toque nas pernas. Colegas esquecidas. O barulho do mar. O carro trancado. Mais risos, agora menos atrapalhados. Parte de alguma coisa, numa cor qualquer. A tensão. Mais toque. A viagem. Um túnel. Outro túnel… seria outro? Perco-me. Encontro-me(-te?) na casa. Sofá. Roupa. A televisão que ilumina, mas não se vê. Mais tensão. Lábios. O jogo do "não fui eu, foste tu". Mais roupa, menos roupa (sem roupa?). Os beijos que se evitam e os que não. O relógio (faz-se tarde!). A chegada de familiares. Um até já – para mais uma ida “ao café”?

Note to Self

Nunca diga dessa tangerina não comerei!
(yet again)

8.4.07

A Espera

Ao se desenhar mais uma fronteira, com a manhã fria e incandescente como o sol a bater na neve, fechavam-se olhos e adormeciam-se mãos.

A tarde, lenta e morna, com o seu vagaroso compasso de horas e minutos, cheia de nadas, estender-se-ia até ao toque do telemóvel.

6.4.07

Desejo II



Esta noite, os sonhos tidos foram a dormir, descontrolados e sem rédeas – não entravas em nenhum deles. Esta noite não houve tempo para mantas ou pernas febris – ficaram presos ao ontem. Esta noite, sem cerveja, vinho ou cafés, não houve tempo para dedos entrelaçados ou espasmos corporais – os ais são só meus?

Noite houve, atrás de uma janela por onde se olha para dentro e nunca para fora, em que carne nunca pareceu, tanto, carne - sem, no entanto, ser, sequer, consumida com sofreguidão.
Fronteiras de carne e músculo, aprisionam uma força bruta de ser, querer e vencer.

E hoje? Hoje, chove-lhe no tecto da boca, das nuvens que alberga na língua – do que não deu. Hoje, espera carta enviada mesmo que tardiamente – o selo é excusado. Hoje, espera-te no sítio do costume – ou, mesmo, noutro qualquer – para que com um sorriso, um outro arrebatas.

“Podias ser a última boneca russa… e eu deixava-te usar a coroa”, pensa alto essa estrela moribunda.


Hoje, borda um coração cor de sangue numa tela branca – armadura para coração ou coração elevado a jóia?

Desejo


"Laura observa. A casa de jantar parece-lhe, neste momento, a mais perfeita sala de jantar que se possa imaginar, com as suas paredes de cor verde-amarelada e a arca de bordo escura que guarda um tesouro de objectos de prata, presentes de casamento. A sala parece-lhe quase impossivelmente cheia: cheia com as vidas do seu marido e do seu filho, cheia com o futuro. Tem importância. Brilha. Grande parte do mundo, países inteiros, foram dizimados, mas uma força que dá inequivocamente uma sensação de bondade prevaleceu; parece-lhe que até Kitty será curada pela ciência médica. Ela curar-se-á. E, se não se curar, se já não for possível ajudá-la, Dan, Laura e o filho de ambos, e a promessa do segundo filho, continuarão aqui, nesta sala, onde um rapazinho franze a testa, concentrado na tarefa de tirar as velas do bolo, e onde o seu pai aproxima uma delas da sua boca e o convida a lamber a cobertura do doce.

Laura lê o momento enquanto ele passa. Aqui está, pensa; já lá vai. A página está prestes a ser virada.

Sorri ao filho, serenamente, de longe. Ele retribui-lhe o sorriso. Depois lambe a ponta de uma vela apagada e pensa noutro desejo, que pede seja satisfeito."
Cunningham, Michael.(2003) As Horas. Lisboa: Gradiva Editora. P.203

5.4.07

Rosa-Carne


Na véspera de sexta-feira santa, tricotava-te esse coração de pedras e contas vermelhas em linho branco, na ressaca do vinho que bebemos. O quadro sob a tela sentia o esticar da pele, de cada vez que a agulha a perfurava, de tal forma que o pequeno grande músculo ficaria dorido. Ali, o calor excessivo do quarto fazia lembrar as horas em que a temperatura em baixo dos lençois incomodava os corpos.
No resto da casa um cheiro a ervilhas empestava o ar, enchendo o vazio do jejuar dos poucos crentes que por ali habitavam.

Recordaria, a tempo, que não acreditava em restrições morais, nem celebrava dias santos e na sexta-feira comeria carne (deliciando-se), esperando que também o fizesses.

1.3.07

Entre a tua canção e a minha II


Conta-me histórias… mas sem mais contos de embalar.

Currículo Oculto

- Tivemos a melhor de todas as educações – na verdade, íamos à escola todos os dias…
- Eu também vou todos os dias à escola – disse Alice – não é razão para estares assim tão orgulhosa.
- Com os extras? – perguntou a Tartaruga Fingida, um pouco ansiosa.
- Sim – disse Alice – aprendemos Francês e Música.
- Eu nunca tive posses para os extras – disse a Tartaruga Fingida, dando um suspiro -, eu só estudava as disciplinas obrigatórias.
- Quais eram? – perguntou Alice.
- Para começar mergulhar e nadar, claro! – Respondeu a Tartaruga Fingida -; a seguir, os diferentes ramos da Aritmética: Ambição, Distracção, Derrisão e Repressão.

Lewis Carrol
Alice no País das Maravilhas
Também tens um?

16.2.07

Clones?

S h o o t t h e m a l l !

3.2.07

Não digas nada

"Não, não digas nada.
Supor o que dirá a tua boca velada
é ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor que o dirias
O que és não vem à flor das frases nem dos dias
És melhor que tu
Não digas nada, sê!
Graça do corpo nú que
invisível se vê"
Mário Cesariny (adaptado)


PS: para ouvi-lo, aconselho Margarida Pinto! ;)

Falta

Falta-me o tempo, sempre o tempo!

17.1.07

Hoje

“Words are very unnecessary”
(Depeche Mode)


Hoje, apenas hoje, façamos de conta que isto é, mesmo, real. Vamos ignorar este cerco de muralhas de água altas – demasiado altas! Não, isto não é um rochedo aqui plantado.

Hoje, só hoje, vamos fazer de conta que realmente nos importamos e que há, mais lá fora, do que apenas isto. Faz de conta que os cavalos já não choram e ri como se, realmente, o sentisses.
Caso contrário, pede ao teu corpo para falar mais baixo, para não o sentir tão ensurdecedor. Já tenho tangerina nas mãos e não estou para parti-la! Até porque ainda ontem comia maçãs, em chão de casa emprestada.
Esta carcaça de falsa morada, um dia, colapsa sob o peso desse corpo morto com que teimas em passear. Já te expliquei que estes nossos diálogos a surdina não levam a sítio algum – estamos, aqui, parados à esquerda do meio há três centenas e meia de dias. Perdi a pachorra para te contar no calendário e os relógios que uso são só ornamento – pensei que subesses.
Hoje apenas hoje, fica aqui, sem falar. Ou então faz-te a esse avião de papel e segue, logo, um outro rumo.

12.1.07

Nem com maçãs te apago II


Forras o teu interior a pele de raineta, na esperança de que, dentro dessa casa de cor rosada, consigas albergar esse meio sol em crescimento. E enquanto o forras, para não teres de soprar tanto os ponteiros do relógio, supões as cartas por receber – haverão mais, certo? Colchões, almofadas e edredões, pouco te irão ocupar e acordas antes do despertador.
Unes com fio de estendal o anteontem, o hoje e o amanhã de forma a te atares ao chão e a não esqueceres caminhos mal trilhados - seguindo o exemplo dos gémeos da casa de chocolate. Migalhas de pão alimentarão pássaros e tu sabe-lo melhor!
Acumulas maçãs quentes como malaguetas num canto do habitáculo, como se uma toca abastecesses e pisas, sem meias ou sapatos, esse soalho emadeirado. Apagarão a outra metade de sol que tens em ti, pensas.
Não receias, no entanto, intempéries invernosas, até porque sabes que aguentarias um nevão sem pestanejar. Delicias-te com a tua desfaçatez e essas letras por descobrir.

Amanhã


Quando os relógios pesam tanto como maquinarias antigas, ensopam-se novelos em banhos de sépia a fim de os mudar de cor. Tempos houve, em que os mesmos circundavam paisagens e mundos esféricos de matiz adocicada e voltavam a tempo de tomar chá.
Mas com o pesar dos relógios e dos dias, que teimam em apressadamente passar, ensaiam-se conversas de ocasião, ocas de sentido e pesadas de constrangimento. Diz-se aquilo em que não se parece acreditar, para em jeito de cartada final, o desdizer.
Oferecem-se convites com mão recolhida e finge-se não perceber as meias verdades suspensas no ar como se de bolas de sabão se tratassem.
Ao fim do dia, reclama-se a jeito de egoísmo infantil as faltas e ausências do agora, sonhando com um ontem ficcionado.
Amanhã? Amanhã nascerão bebés enquanto outros são feitos, correr-se-ão maratonas a passo de caracol, travaremos diálogos sem escassez de pormenores, comer-se-ão (sofregamente) laranjas inteiras abertas com mão emprestada, cantar-se-á bem alto na pauta mais desafinada que houver, dançaremos electricamente com quem estiver ao lado, sentiremos borboletas ou outro insecto qualquer a bater asas na barriga (ou não!). Amanhã? Amanhã apanharemos autocarros e aviões para destinos mais certos, acompanharemos em directo mais uma execução, fiaremos novas teias de enfeite, faremos piadas mordazes e corrosivas só para quem puder entender, reabasteceremos corpos de beijos e beberemos vodka da garrafa com o gelo e o sumo à parte.
Amanhã? Pedirás a cartola emprestada ao Chapeleiro Maluco da Alice, porque te faltou uma tiara, ainda que não o vestido. Amanhã? Amanhã reclamarás, novamente a minha ausência e engolirás sorrisos tão descartáveis como cartão, brindando com o champanhe que derramas
.

Santas, Princesas e Ervilhas





Pedro Berenguer conta histórias no silêncio – espaço onde coabitam os corpos, os sonhos e os dias. As suas pinturas são territórios para as donzelas (de hoje, mulheres/manequins ou corpos, ou de ontem, figuras históricas ou santas, ou apenas mulheres com nome de baptismo) inventarem a cidade, a casa, o quarto, a janela, a carta… ou o olhar de alcatrão que penetra o espectador e baralha o seu mundo. São histórias. Era uma vez está ausente ou não se lê, sente-se. O fim, the End, é o devir de uma nova narrativa, de um corpo que habita a casa ou morre na concha de uma mão inventada. As palavras escritas (por linhas tortas, como as vontades dos anjos) procuram a bússola dos dicionários, dos livros, das revistas ou do ponteiro do relógio (e da hora apagada).
Vejo nestas pinturas (e no seu desenho) a ideia de alfândega – onde tudo é despachado, até os corpos, mortos (também podem ser moribundos porque os homens não separam a vida de pré-morte); até as palavras, inteiras (também podem ser fragmentadas porque os homens há muito que abandonaram a casa); até as cores, quentes (também podem ser frias porque os homens perderam o sentido do norte e do sul); até as cartas, escritas (também podem ser apenas páginas brancas porque os homens adormeceram).
Leio nesta pintura a ressaca de palavras baralhadas com sentido de ocultar/desocultar o eu (teu, meu ou dos outros) de um actor sem palco, sem texto, sem estreia marcada, mas com a coreografia desenhada num útero candidato a sonho.
Pedro Berenguer escreve histórias no silêncio – espaço onde os amores gelam nas ruas sem número de polícia. As suas pinturas revelam as bocas cadentes que estorvam os prazeres da epiderme e as paisagens (aqui corpóreas) são revestidas pela pele do corpo (e dos corpos) e da palavra (das palavras).
Rita Rodrigues
Dezembro de 2004

Last Christmas











No Natal passado, abstraímo-nos dos objectos e elevámos as suas abstracções à potência máxima, suspendendo-os, no intermédio de tectos, e com a sua ausência de peso, ao passeio atrevido e jocoso do ar.
No sub-solo semeámos estrelas e sentámo-nos a ver o silêncio assentar, enquanto à sombra falávamos.

1.1.07

The Time of the Turning

It's the time of turning and there's something stirring outside
It's the time of turning and the old world's falling
Nothing you can do can stop the next emerging
Time of the turning and we'd better learn to say our goodbyes
canta-me a Alison Goldfrapp, neste primeiro dia do ano, ao ouvido, e eu não consigo deixar de lhe dar razão.

25.12.06

Espírito Natalício

In this festive season, Mary Christmas and Santa Claus are getting, each other, a divorce.

20.12.06

Coleccionador de areias




Wake up we're almost there,
just ten more miles it was such an affair,
that in all our lives we've waited for this day.
And there it is,
it's shining like gold and little different than the one before
and who would've though that you would contemplate.

(Josh Rouse, in Under Cold Blue Stars)

Quando a areia assenta, não há tempo para falsas tartarugas a discutir aritmética com Alice ou para pérolas atrevidas a se esconderem por entre as pregas da pele, por baixo da carne. Cantam-se canções quase desconhecidas para ninguém ouvir e ecoa-se de volta. Canto eu e cantas tu. Não nos ouvimos.
Tenho nos pés uma quantidade de grãos de açúcar mascavado. Pesam-me. Penso nas crianças que, aqui, correram quando o calor se sentia e no deleite dos coleccionadores de imensidões numa praia como esta. Colocariam uma pequena porção, decerto, em frasco não muito espelhado de forma a não turvar a vista, nem tão pouco muito exposto aos beijos atrevidos da luz que a gastariam. Não sei o que escreveriam na sua etiqueta com suas canetas de pena, compradas para a ocasião – esse ritual de a colocar.
Um grande “P” (sim, um pê!), flutua, no amarelo empardecido do oceano, ao jeito de calhau esquecido ou de mensagem não bebida e esquecida em garrafa por ler e tu ficas a olhar o tom rosado de um sol cansado e um céu que não se põe. A letra toca as fronteiras não desenhadas de figuras geométricas traçando rotas que não ficarão por seguir – certamente! Far-me-ei a elas em barco de papel.

Em prateleiras alheias e coleccionadas de praias, encontram-se continentes e durante a eternidade, dunas engarrafadas fitam-se como amantes impossibilitados de tocar por esse composto transparante, por eles formado.
Continuo nas minhas cantorias, adormecendo o menino do coro que há em mim.

Volto a colar-te frases soltas no tecto da língua, semeando-me.
Lê-me as entrelinhas, onde os icebergs derretem, enquanto pensares em postais de natal. Lê-me entrelinhas desenhadas em areia abafada pelo mar, durante três dias consecutivos e prometo que fico aqui.

This is not a story or a fable

Em terras menos longínquas, a incompetência e geografia de seus próprios limites tenta ser abafada por (excesso de) trabalho (para os outros!).

19.12.06

Os dias voam-me e o trabalho não avança!

15.11.06

Swallow's Ceremony


“(…)
Oh I'll break them down, no mercy shown
Heaven knows, it's got to be this time,
Avenues all lined with trees,
Picture me and then you start watching,
Watching forever, forever,
Watching love grow, forever,
Letting me know, forever.”
Ceremony, New Order, 1987

Num dia pardacento de Novembro, e com algum atraso, aterrou ao jeito de andorinha corajosa, não temendo intempéries invernosas na rudeza do calhau. O voo picado não cansara e com sua malha riscada e casaco de abafo mais quente, quais armaduras prateadas, fez-se ao céu menos azul e, em tom de desafio, entoou esse seu macio (ainda que inaudível para a maioria) canto.
Sem ninho ou mantimento de reserva rodopiou tendo consigo, somente, um sorriso maroto, mas envergonhado, e aquela estranha confiança a quem as coisas correm, repetidamente, bem. Como não acreditava em deuses da maioria ou, mesmo, aos esquecidos pagãos, fez ninho em menos de seis dias e não descansou no sétimo. Em vez disso, lá faz uns descansos ocasionais entre piruetas e voos contra-picados e adapta-se, SEMPRE, à corrente.
Passam ciclos e luas, ventos e chuvadas, beijos e beliscões. Passam caracois e tartarugas por todo o lado, e, também, ninhos por riachos e tutinegras pelo ar.


Quanto ao menino que, um dia, chorou desalmadamente por uma dessas aves da Primavera, morta entre o vento molhado e o pára brisas, cresceu, seguiu o conselho dado e esperou, ali, no virar da esquina onde a andorinha sorri para si.


Por fim, correm-se jardins, saltam-se festas e trocam-se beijos na madrugada. Ri-se bem alto e não se olha em volta.

13.11.06

Catarina II


Catarina lembrava-se de escolher aquela liga acetinada de cor branca, mal a vira na loja, numa tarde quente e ventosa. Mas isso de pouco interessava, hoje. Ria muito nervosa, como não havia gargalhado sequer , no escuro, nessa "primeira vez", como lhe chamavam.
Essa noite, em que o chão de madeira fora menos frio que a chuva que caía. Ao contrário, das suas amigas estava farta de esperas que não lhe faziam qualquer sentido. Nesse dia decidira que a pressa não seria inimiga da perfeição. O tempo passara e as noites como aquela repetiriam-se.
Agora, seis anos volvidos, deliciava-se com aquele medo adolescente de ser tocada, qual virgem envergonhada. Antes de sair do trabalho, chamou, histericamente, a colega Maria, que acabava de ser deixada, por um carro preto, na berma da estrada. Maria, uma mulher de quarenta e dois anos, mas que se vestia como se tivesse menos vinte, fitou-a com o sorriso frio que dava aos homens casados com quem tomava cafés depois do almoço.
Aquele mexer de lábios gélido parecia deitar ao chão todos esses sonhos vãos, afinal ela era uma das que “se usa sem agitar e sem fingir ternura”. Tirou a liga, no meio da rua e atirou-a para os arbustos repetindo baixinho, para si mesma em jeito de lenga-lenga, treze vezes “as putas não amam!”

Aconchego

Não é que os tectos de casas emprestadas ou castelos andantes lhe soubessem a pouco, porque sempre os sorvera com especial vontade, mas em dias vagarosos e indispostos, apetecia-lhe, muito mais, o conforto daquela concha de caracol, não alheia.

Da-da

Passara a manhã a pendurar palavras que teimavam em não pescar, pelo que resolveu atirá-las ao ar, ao acaso, em jeito de jogo dadaísta, como fizera, naquele dia, aos pedaços de céu caídos no chão.

9.11.06

An ocean wrapped around a pineapple tree


Os barcos de papel fazem portos em covas de sorriso e descem decotes, avizinhando mãos a seguir trilhos de pegadas, enquanto se dança na relva com o dormir do sol.
Mesmo assim, corre-se até à praia, e, em tom de desafio, testam-se limites. Em planícies, dali avistadas, onduladas a pincel e tesoura, rodopia-se até cair e diz-se o que à boca vem, sem freios, deixando soar.
E porque, noutros portos, a areia é outra, experimentam-se alternativas ao atirar roupas para o chão e perdem-se apostas, já que, uma vez mais, as punições são mais doces do que as vitórias. Fica-se cheios de grãos que como açúcar incomodam o corpo e entranham-se na carne, mas sem formar pérolas, como a penetrar saias de ostras. Por fim, ri-se muito, olha-se o despertar do sol e enrolam-se oceanos inteiros em bandejas de frutos.
Depois, dias, há, em que se deixam os mesmos barcos seguir a sua corrente, sentados em sorrisos que não damos, observando novas rotas, em oceanos de cartão.

Porque, às vezes, não tenho, mesmo, pachorra!

O ar rodopia em minha volta, quais andorinhas em mudança de estação, enquanto deixo sair esses gritos, fazendo dos meus lábios, saída de emergência e todo o meu corpo, uma casa em chamas.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!