12.1.07

Nem com maçãs te apago II


Forras o teu interior a pele de raineta, na esperança de que, dentro dessa casa de cor rosada, consigas albergar esse meio sol em crescimento. E enquanto o forras, para não teres de soprar tanto os ponteiros do relógio, supões as cartas por receber – haverão mais, certo? Colchões, almofadas e edredões, pouco te irão ocupar e acordas antes do despertador.
Unes com fio de estendal o anteontem, o hoje e o amanhã de forma a te atares ao chão e a não esqueceres caminhos mal trilhados - seguindo o exemplo dos gémeos da casa de chocolate. Migalhas de pão alimentarão pássaros e tu sabe-lo melhor!
Acumulas maçãs quentes como malaguetas num canto do habitáculo, como se uma toca abastecesses e pisas, sem meias ou sapatos, esse soalho emadeirado. Apagarão a outra metade de sol que tens em ti, pensas.
Não receias, no entanto, intempéries invernosas, até porque sabes que aguentarias um nevão sem pestanejar. Delicias-te com a tua desfaçatez e essas letras por descobrir.

6 comentários:

Cláudio disse...

será que não devia recear? até quando é que conseguiria aguentar? enquanto conseguir manter o "meio sol em crescimento"? ou enquanto conseguir acumular "maçãs quentes"?

Pedro_B disse...

Haven't got a clue, "claudio".

Chicão disse...

Parabéns! Uma lufada de ar fresco!!

Forte abraço!

Chicão

Pedro_B disse...

Obrigado. :$

Pedro Espírito Santo disse...

Uma casa de chocolate de leite é o que se quer ! Já agora feita de chocolate Milka se faz favor !

Pedro_B disse...

Em historias de casas feitas de chocolate - milka ou nao - usam-se, estupidamente, migalhas de pao para marcar trilhos.